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domingo, 16 de maio de 2010

Brasil volta a brilhar no MMA

Depois da trajetória brilhante do lutador curitibano Wanderlei Silva, ídolo em diversos países, o MMA ou mixed martial arts se rendeu ao talento de um outro curitiba, o Maurício Shogun.

Shogun é um lutador fora de série, um legítimo outlier, como definiria Malcolm Gladwell. Dono de um estilo único e de uma frieza e tranquilidade fantásticas, Shogun venceu por KO o oponente também brasileiro Lyoto Machida, no UFC 113, evento que lhe rendeu o cinturão da categoria meio-pesado, título que coloca o Brasil no topo da dura escalada de lutadores profissionais que sonham com a fama, dinheiro e com a sensação de vitória.

Há cerca de cinco anos, atuei no Brasil com o preparo emocional de lutadores de MMA de alta performance, junto com o psicólogo Fabiano Mello. Na época, o primeiro atleta que fez um trabalho emocional muito dedicado e colheu os frutos mais rápido do que se poderia imaginar foi o André Dida. No mesmo ano em que iniciamos os trabalhos, que consistiam em uma ou duas sessões de uma hora por semana, Dida participou de um evento nacional e nocauteou em meio minuto o lutador Felipe Borges (2006) e foi aclamado como o melhor lutador do evento. Depois disso, Dida foi convidado para a sua primeira luta num grande evento internacional, na Inglaterra e se saiu muito bem. De azarão, quase venceu o K1 Heroes de 2007 e consolidou a sua carreira de lutador de alto nível.

Shogun foi o segundo atleta de nível internacional que se interessou por iniciar um trabalho emocional. Aderiu de maneira fantástica à proposta de desenvolver ainda mais a inteligência emocional que já havia lhe rendido um renomado título de vencedor do Pride, evento que acontecia no Japão e mobilizava o país. Maurício Shogun dedicou-se aos trabalhos e apresentou uma fantástica evolução, trabalho que após o meu deslocamento para atuar no exterior, foi brilhantemente desenvolvido pelo Fabiano, que passou a atuar também com o Evangelista Cyborg e com a Cris Cyborg, dentre outros.

O lado emocional dos lutadores de MMA é fundamental para os seus desempenhos. O que vence a luta é o esforço, dedicação e a técnica e o preparo emocional representa um poderoso segredo que visa garantir o rendimento do atleta nos treinos, a manter o foco e, é claro, a deflagrar os estados emocionais no momento do confronto.

Parabéns ao Shogun, que soube dar a volta por cima da derrota injusta da luta anterior contra Lyoto. Vencido por pontos, dessa vez, com o KO, não deixou dúvidas de que o lutador curitibano está de volta à forma de antes.

Fernando Botto é consultor de negócios, docente e escritor

sábado, 15 de maio de 2010

Nem o coelhinho da Páscoa se salva

Nem o coelhinho da Páscoa se salva. As antigas barrinhas de chocolate de 220g emagreceram para 200g, depois 190g, 180g e, na semana passada, comprei uma de 170g! Ora, que o chocolate engorda eu sei, mas quem devia fazer regime era eu, não a barra, certo?

A velocidade da indústria do mal é muito maior do que a do bem. Proativa, a indústria do mal é um setor muito valorizado de empresas que possuem um departamento obscuro, em que pessoas vestidas de preto sacrificam pequenos animais domésticos e bebem o seu sangue num macabro ritual cujo objetivo é responder à pergunta: como maximizar o lucro dos acionistas?

O risco do descomprometimento com a ética nos negócios é o desenvolvimento de um olhar criativo para passar a perna nos seus clientes, concorrentes e quem mais estiver pela frente. Nem tudo que é legal é ético, já dizia um brilhante jurista dos tempos de negócios feitos no fio do bigode. Hoje, as empresas estão insuflando o ego de pessoas extremamente egoístas, competitivas e confortavelmente maquiavélicas, que encontram na falha dos concorrentes um motivo para justificar a própria torpeza e de alimentar uma concorrência desleal pelo cliente, o maior de todos os prejudicados.

Mas será que existe espaço para profissionais éticos nesse mar de tubarões? Existe. Há empresas comprometidas com valores éticos que sepulcrariam de antemão toda e qualquer medida que pudesse representar a burla do cliente como diferencial para o próprio crescimento. Em outras palavras: assim como há pessoas ávidas por crescer em suas empresas, capazes das mais criativas formas de exercer a arte de puxar o saco e os tapetes, há empresas dispostas a qualquer coisa para obter alguma vantagem.

O mero poder de compra do cliente brasileiro, que já passa a adotar uma postura de valorizar empresas que respeitam o meio ambiente através da compra desses produtos é uma forma de combate a esse tipo de prática desonesta que se tornou tão habitual a ponto de hoje já haver pessoas que entendam tal prática como algo normal, próprio do mercado competitivo e, pasmem, chegam a chamar isso de criatividade.

Não existe criatividade sem ética. E o poder de escolha do consumidor na compra não basta. É preciso haver agências governamentais eficientes, que penalizem com rigor estas práticas perniciosas, assim como as universidades devem insistir em formações que direcionem os futuros executivos a encontrar meios mais criativos de enfrentar a concorrência.

Certa vez assisti a uma partida de futebol em que a violência, por miopia do árbitro, correu solta para os dois lados. Uma lástima. Futebol nota zero. No intervalo, um técnico teve a iniciativa e a sabedoria de chamar o seu colega de longa data que dirigia, naquela noite, a equipe adversária. Esclareceu que o jogo continuasse violento daquele jeito, perderíamos atletas por contusão, o que seria uma lástima para ambos, porque o campeonato ainda estava no início. Selaram um acordo de ir, cada um ao seu vestiário e de ordenar ao time que haviam feito um pacto de lealdade de apenas cometer faltas realmente necessárias.

Em que pese o risco de interpretação de cada atleta numa orientação subjetiva dessas, a essência foi assimilada por todos e o jogo terminou num formidável 3 a 3, fruto de um jogo limpo, em que até os gandulas trocaram as camisas no final do jogo em sinal de congratulação.

Mas mercado não é futebol e cliente não é torcida, é consumidor. E, como a fiscalização é reativa, lenta e muitas vezes ineficiente, nos vemos compelidos a apelar para a ética de nossos executivos para que o quadro não se agrave ainda mais e, para a nossa esperança, há muitos exemplos brasileiros de profissionais que não aceitam negociar seus valores no jogo de vale tudo que alguns insistem em jogar. Seriedade, competência e respeito ao consumidor são valores que esperamos ver, um dia quem sabe, voltar a fazer parte das atitudes do senhor coelhinho da Páscoa. Ou podemos torcer que ele peça demissão e mande o seu curriculum para a indústria de tabacos ou de bebidas alcoólicas. Aliás, não seria o máximo que os cigarros passassem a ter cada vez menos nicotina e as bebidas, cada vez menos álcool em suas garrafinhas?

Fernando Botto é consultor de negócios, palestrante, docente e escritor. Autor dos livros Alho cebola e beijo na boca (2004) e Fungos da Mongólia (2010).

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A verdadeira profilaxia contratual


Você provavelmente já negociou com pessoas desonestas e sabe como é fácil cair em armadilhas e como é difícil sair delas. A sensação do desgosto de ser enganado pode ser bem aproveitada se aprendermos a criar os anticorpos certos e utilizá-los adequadamente em cada contexto.

Certa vez, ouvi um conselho que continua sendo muito útil para quem vive esta necessidade de confiar nas pessoas para fazer bons negócios: melhor do que um contrato bem escrito é negociar com pessoas de valor. Este ensinamento nos ajuda a tomar algumas decisões, mas descobri que até mesmo pessoas de valor podem ser manipuladas por mentes perigosas e levadas a acreditar em realidades distorcidas pelas doces palavras de um bom estelionatário.

Que atire a primeira pedra quem nunca foi manipulado e deu crédito ao homem de fala bonita e de sentimentos entusiasmados. É realmente muito difícil fazer a leitura de comportamentos de sedutores profissionais na arte do engano, vorazes agentes de distorção da realidade em prol de seus objetivos egoístas que olham para o mundo como um universo de riqueza, poder e vaidade e para as pessoas como meio de obtê-los e maximizá-los.

A fidelidade aos próprios valores constrói uma reputação e, na trajetória profissional de sucesso que todos pretendemos fazer, existem atalhos e há pessoas prontas para oferecer caminhos alternativos àqueles que devem ser percorridos.

O único lugar que o dinheiro vem antes do trabalho é no dicionário. E na trajetória que todos buscamos sempre se apresentarão pessoas do boa fala, com promessas maravilhosas capazes de nos fazer sonhar e vibrar silenciosamente com as nossas fantasias que nos projetam para um futuro que parece ser tão certo quanto o sol que nascerá no dia seguinte.

Difícil é conhecer as intenções de cada um que se aproxima de nós, mas é necessário desenvolver a nossa experiência e sabedoria. Confiar nas pessoas é fundamental e não podemos nos fechar para o mundo porque tivemos uma decepção profissional. O que deve sustentar um profissional de sucesso é a fidelidade aos próprios valores e, ao invés de confiar cegamente ao contrato muito bem redigido, atentar, antes disso, a negociar com pessoas de valor.

Fernando Botto é consultor de negócios, escritor, docente e palestrante.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O troca-troca de astros da televisão




por Fernando Botto

A competição autofágica das emissoras de televisão brasileiras pelo “passe” dos apresentadores superstars deram muitas dores de cabeça a quem tem a responsabilidade de preencher rapidamente as súbitas vacâncias. Os leilões que passaram a ser frequentes entre emissoras rivais assemelham tais profissionais aos jogadores de futebol.

Um dos troca-trocas curiosos foi a saída de Roberto Justos, da Record para o SBT, que deixou um programa que tinha a sua cara, forma e cheiro - O Aprendiz -, para apresentar um programa de competição chamado cem contra um. Para suprir a lacuna de Justus, a Record colocou um trio parada dura para tentar dar ânimo à competição entre os universitários, nesta temporada 2010.

O primeiro ponto que O Aprendiz escorregou foi substituir o Justus, empresário com panca natural de executivo global, dono de uma espirituosidade aguçada e de uma personalidade harmonicamente admirada e, ao mesmo tempo temida pelos participantes, por um outro empresário que não consegue obter o temor natural que o olhar frio e comentários bem elaborados do antecessor causavam.

Aquilo que o público gostava de ver no Aprendiz era o tom duro, muitas vezes permeado com algumas pitadas prepotentes do apresentador, que sabia como apertar um candidato e criar aquele suspense típico de cada episódio. Até os tiques do Justus pareciam ensaiados, de tão harmoniosamente adequados. O sucessor não tem essa panca toda e tem em seu desfavor substituir um personagem carismático que contava com mais de um metro e oitenta, sem mencionar o sex appeal do cidadão.

Aliás, o João Doria Junior está acompanhado de uma consultora que quando desfila seus cabelos encaracolados nas telinhas me faz questionar se aquilo não é uma propaganda subliminar da Starbucks, em flagrante benchmarking dos jogos de cores da Ferrari e dos cigarros Marlboro.

O Justus, por seu turno, vive uma espécie de ostracismo, apresentando uma competição meio bobinha para as suas capacidades. Um destino injustus, não apenas para o Roberto, mas para os telespectadores que foram vitimados por esses leilões entre as emissoras ,e do jeito que a coisa vai, não me surpreenderia acordar um dia vendo o Cid Moreira apresentando um programa infantil e o Ratinho com a Xuxa substituindo o casal Willian Bonner e Fátima Bernardes no Jornal Nacional.

Crédito da foto para estadao.com.br

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