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sexta-feira, 5 de junho de 2009

A MAIOR ORQUESTRA INFANTIL DA ÁFRICA


Estas crianças fazem parte da maior Orquestra infantil da África. O grupo de 50 crianças angolanas foi reunido com o critério de vontade de estudar música e é composto quase na totalidade por filhos e filhas de pescadores, zungueiras (vendedoras que levam seus produtos sobre a cabeça) e carrinheiros, pessoas simples que jamais poderiam pagar por este tipo de conhecimento.
O que impressiona é o repertório. "Estas crianças tocam uma hora e meia sem descanso e o repertório passa por Beethoven, Mozart e Johann Sebastian Bach"- orgulha-se um dos idealizadores do projecto, Mário Gama, um conceituado tenor angolano com fama internacional.
O Município da Samba agarrou o projecto, que conta com professores filipinos, que ensinam e cobram disciplina das crianças. Além das lições de como tocar violinos e violoncelos, os miúdos aprendem um pouco do inglês, língua falada pelos mestres.
As crianças levam seus instrumentos para casa e sentem muito orgulho de fazerem parte da orquestra: "Eu amo a música. Meus pais, quando começam a brigar em casa e me ouvem ensaiar e pedir silêncio, param para me ouvir tocar. Estou muito feliz", revela Ana, uma das alunas, no auge dos seus oito anos de idade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Coritiba empossa cônsul em Angola



Depois de já contar com o primeiro Consulado internacional, em Boston, no Estados Unidos, o Coritiba conta agora com o seu primeiro Consulado na África, que será em Angola.

A oficialização do novo Consulado marca também o primeiro Cônsul de um único país e não apenas de uma cidade, que será Fernando Botto.

"Essa foi uma das mais gratificantes assinaturas, por se tratar de um Cônsul de um único país e o primeiro do Continente africano, além de ser uma pessoa íntegra como o Fernando", destaca o presidente Jair Cirino dos Santos, que assinou o diploma junto a Fernando, representante do Coritiba Foot Ball Club em Angola.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A Nova Fase de Investimentos em Angola

Fernando Botto ,
*publicado no Jornal do Brasil em 26/01/2009


RIO - Em paz desde 2002, Angola intensificou a sua posição política internacional e avança a passos largos em busca da conquista da hegemonia africana. Antes conhecida como “a pérola da África”, Luanda encantava pela sua sedutora beleza litorânea e pelo ambiente agradável para se viver. No entanto, aquela não era a Angola dos angolanos, mas a mais próspera das colônias africanas de Portugal. A soberania foi conquistada em 1975, com a independência, mas a paz se efetivou apenas em 2002. Desde então, Angola passou a figurar entre os países com maior crescimento econômico do mundo.

Com uma produção que beira os 2 milhões de barris/dia, o petróleo permanece como grande financiador da reconstrução de Angola. Em 2006, o ouro negro representou cerca de 95% da receita de exportações angolanas, aproximadamente US$ 32 bi, dos quais quase 40% tiveram como destino os Estados Unidos. Outra grande economia, a China, tem Angola como segundo maior fornecedor de petróleo atualmente. O setor diamantífero correspondeu a 4,5% das exportações. Madeira, pesca e café sequer atingem 1%. Nos idos de 1973 e 74, Angola ocupou o posto de quarto maior produtor mundial de café, dado que serve de amostra do potencial agrícola do país.

Embora a balança comercial de Angola tenha acusado saldo positivo superior a US$ 22 bilhões em 2006, a vertiginosa queda do preço do petróleo no mercado internacional – de US$ 140 para menos de US$ 40 no segundo semestre de 2008 – deu uma amostra dos riscos de se depositar todos os ovos do desenvolvimento angolano na mesma cestinha. Apesar de que, hoje em dia, risco mesmo é ter dinheiro aplicado nas mais sólidas instituições financeiras do mundo.

Com reservas internacionais estimadas em US$ 11,2 bilhões e um PIB estimado de US$ 46,93 bilhões em 2007, Angola importa produtos de praticamente todos os setores. Em 2006, 17,1% das importações angolanas corresponderam a máquinas e motores; 9,5% a produtos metalúrgicos; 9,5% a automóveis e autopeças; 8,7% a materiais elétricos e eletroeletrônicos. O restante é relativo a alimentos, bebidas, móveis e outros produtos. De acordo com a Apex, o Brasil exportou US$ 514 milhões para Angola em 2005 e, no ano de 2006, o total atingiu US$ 836 milhões.

Segundo a Direção Nacional de Alfândegas de Angola, Portugal foi o principal fornecedor das importações angolanas (17,1%) em 2006, seguido de Estados Unidos (9,8%) e Brasil (8,6%). A participação do Brasil tem muito a crescer no mercado angolano, como tem ocorrido, mas prudência é fundamental. A mídia tem pintado uma imagem de Angola como a Serra Pelada do século 21, terra de oportunidades em que não há nada e tudo está por ser feito. Ledo engano. Esta aparente sensação de que “tudo dá certo em Angola” promove um fluxo de investimentos aleatórios que, muitas vezes, resulta em elevados prejuízos.

De olho na enxurrada de capitais até então canalizados com base no achismo dos investidores, o governo angolano criou um órgão especializado, a Agência Nacional para o Investimento Privado (Anip). Com o objetivo de promover condições propícias e apoios para o investimento doméstico e estrangeiro, a Agência tem realizado pesquisas de mercado para orientar os investidores, bem como promovido apoio e alianças entre eles. Recentemente, a nova pauta aduaneira estabeleceu alíquota zero para importação de mercadorias que se inserem em projetos de investimento privado.

Pelo lado brasileiro, a Apex realizou um estudo que se estendeu entre 2004 e 2006, cujo resultado apontou para oportunidades de exportação do Brasil para Angola nos setores de alimentos, bebidas, agronegócios, cosméticos e higiene pessoal; móveis, cortiças, cerâmicos, produtos metalúrgicos, tintas e vidro, dentre outros.

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Apesar da proximidade cultural, da língua portuguesa, dos incentivos, da empatia com o povo brasileiro e da abundância de recursos financeiros e naturais, esses elementos devem ser analisados no contexto de um dos países mais caros do mundo para se viver, aliado a riscos e imprevistos diversos que fazem parte do cotidiano angolano. Aliás, para investidores que são avessos a correr riscos, a sugestão é optar por papéis das mais sólidas e confiáveis instituições financeiras do mundo. Será?


* advogado, educador, especialista em negócios internacionais e consultor de negócios entre Brasil e Angola

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Negócios ambulantes são a nova febre de angola



Donos de pequenos negócios criam espaços e desenvolvem actividades lucrativas como meio de driblar a inflação imobiliária

Por Fernando Botto, publicado na Revista Figuras & Negócios, de Angola

Os “ambulantes” são os profissionais que sobrevivem de vendas de produtos de baixo valor em barracas que são instaladas temporariamente, prática típica de países em que os empregos formais são muito escassos. É claro que o surgimento, manutenção ou diminuição desse perfil de profissionais são influenciados por indicadores macroeconômicos que representam imponentes desafios para todo e qualquer governo.
Luanda atravessa um longo e tenebroso momento de inflação imobiliária, impulsionada por factores que nem os melhores economistas ou astrólogos de plantão conseguem explicar com exactidão. O custo de vida na capital, seja para nacionais ou para estrangeiros, é um dos mais altos do mundo e não se tem notícia de nenhum modelo econômico que explique o fenômeno da economia angolana, que é medalha de ouro em crescimento mundial e promete mais novidades nos preços de terrenos, apartamentos e vivendas nos próximos anos.
São muitas as variáveis que compõem o preço de um imóvel em Luanda: proximidade da Mutamba, cuja alcunha é “capital de Luanda”, andar alto ou baixo, estado de conservação do prédio, condições de água e do gerador, número de quartos e, é claro - quem pretende arrendar. O cliente ideal é o estrangeiro, de preferência que pertença a uma petrolífera disposta a desembolsar algo entre cinqüenta e cem mil dólares por dois anos de contracto de um apartamento de médio padrão com todos os predicativos de um imóvel que há mais de trinta anos não sabe o significado da palavra manutenção.
Com a procura crescente por imóveis e a incapacidade das construtoras em atender a essa demanda em tempo real, os preços tendem a subir e isso torna alguns negócios inviáveis, como é o caso de peixarias, constatado como ramo de actividade em crise, em decorrência das margens de lucro cada vez menores em função do custo para se arrendar um imóvel. Em pouco tempo, se calhar, será mais lucrativo encerrar o negócio de peixaria e “zungar” pela cidade. Difícil mesmo será desenvolver o talento das zungueiras que conseguem anunciar o seu produto com uma vitalidade vocal que daria inveja até ao saudoso tenor Luciano Pavarotti.
Mas, angolano que se preza não se deixa abater com a alta dos preços de imóveis e dá uma verdadeira aula de empreendedorismo e criatividade. Espalhados por Luanda e por muitas províncias estão pequenos empresários que incrementam os rendimentos familiares com negócios que se caracterizam pela sua mobilidade, os chamados “negócios ambulantes”. Paula José, 27 anos, há cinco anos retira seu “rollete” da garagem de sua casa na Cassenda para garantir um rendimento mensal bruto médio de setecentos dólares, obtidos do comércio de cachorro-quente, hambúrguer e bebidas diversas. A renda da empresária do “comércio ambulante” é um incremento do salário obtido como orientadora educacional. Os preços são de Kz200 por um saboroso cachorro-quente e Kz400 por um hambúrguer, que leva queijo, fiambre, ovo e salada. Segundo ela, “o meu sonho é de conseguir um emprego formal. Se eu ganhasse quinhentos dólares por mês e uma chance de crescer, deixaria tudo de lado.”
Outro empresário que soube contornar os altos preços dos imóveis é Francisco Mauete, de 26 primaveras. O jovem trabalha há dez anos com unhas e há quatro decidiu investir as economias acumuladas numa tenda. A espera dos clientes, homens e mulheres, é um dos frutos do investimento que fez. Mauete cobra entre mil e dois mil kwanzas para fazer as unhas e quinhentos pelos desenhos. Afirma o dono do negócio ambulante que “nos dias fracos ganho, no máximo 50 dólares, mas nos dias de movimento, chego a facturar até 150”. Indagado sobre o sonho da sua vida, Mauete não hesitou: “um dia terei o meu salão aqui no Cassenda”.
Mas não é apenas em Luanda que os negócios ambulantes fazem sucesso. Suzi, que vive no Calulo, na Província do Kwanza Sul, divide o seu tempo entre os dois sítios. Transporta a sua “empresa de cabelos” entre a sua encantadora cidade natal e Luanda. Nos dias de melhor movimento para aplicar cabelos, recebe cerca de dois mil kwanzas no Calulo e cinco mil em Luanda, mas adverte: “em Luanda ganha-se mais, mas gasta-se muito mais”.
Os negócios ambulantes são as soluções encontradas por empreendedores que não dispõem de recursos suficientes para arrendar um imóvel, mas buscaram recursos criativos para ganhar alguma renda extra que pode significar uma poupança para realizar um sonho, manter um padrão de vida, ou para a mera sobrevivência.
Possivelmente por representar uma possibilidade de realização de sonhos com baixo investimento inicial que o negócio ambulante se mostre tão interessante, mas vale dizer que o sucesso de qualquer empreendimento em Angola depende, além da atitude, do conhecimento do ramo e da qualidade do produto vendido ou do serviço prestado. Afinal, quando a febre da abertura de novos negócios ambulantes passar, restarão apenas aqueles que Charles Darwin chamaria de “melhores adaptados” ao imprevisível mercado angolano.

Fernando Botto é consultor de negócios em Angola: fernandokwz@gmail.com

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