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terça-feira, 16 de março de 2010

Missa em memória da dra. Zilda Arns em Luanda


No dia 13 de março último, a Pastoral da Criança de Luanda, Angola, organizou uma missa em memória da dra Zilda Arns. A missa contou com o apoio da Embaixada Brasileira, do Governo Provincial de Luanda e de empresas parceiras.

Pode-se dizer que a "Festa da Vida", parafraseando a dra. Zilda, contou com mais de duzentas pessoas, entre líderes da Pastoral da Criança e da Família, convidados e membros da comunidade. Na entrada da Igreja Sagrada Família, foi pendurada um painel de 3 x 2m com a transcrição do último parágrafo do último discurso da dra. Zilda no Haiti e foram distribuídas camisetas com uma fotografia da dra. Zilda com uma criança angolana no colo, a Clara, que atualmente vive na Itália.

Houve apoio de emissoras de rádio e televisão angolanas, que noticiaram a missa realizada. Um bom número de brasileiros estiveram presentes e, logo na primeira fala, a sra Maria Isabel, coordenadora da Pastoral da Criança em Angola, anunciou, a pedido da embaixada brasileira, o nome de cada um dos militares brasileiros e do diplomata brasileiro vitimados no terremoto de Porto Príncipe.

Foi uma homenagem muito bonita, que retratou a vida e obra da dra. Zilda Arns.

Um fato pitoresco, que não posso deixar de contar, foi o que ocorreu na saída da igreja... Um senhor de barbas brancas e longas, se atirou nos pés de um participante brasileiro, que proferiu um dos discursos. O sujeito o abraçou nos tornozelos e ficou lá, um minuto. Os angolanos ficaram em volta e a esposa do brasileiro, ao invés de fazer alguma coisa, ficou lá, com cara de paisagem olhando a cena. Quando foi liberado, agradeceu ao senhor, totalmente sem jeito, momento em que percebeu aquele bafo de pinga do carinhoso barbudo. Virou-se para o lado e disse para as irmãs, que acompanhavam a cena: "bem, pelo menos hoje fiz um amigo novo. É verdade que ele está bêbado, mas já é um começo, né?"

A dra Zilda foi duas vezes indicada ao prêmio Nobel e recebeu diversos prêmios internacionais. Sem dúvida, uma vencedora. O carisma e o amor que a dra Zilda tinha pelas crianças e pelos idosos era algo de emocionar. Nas palavras de um diretor de uma empresa em Angola: "Era impossível dizer não a um pedido da dra. Zilda Arns. "

segunda-feira, 8 de março de 2010

Foreman matou kutner?

Dr. House é uma das séries mais interessantes que surgiram nos últimos anos. Além das polêmicas tradicionais que os seriados médicos provocam nos episódios que tratam de temas controversos, como eutanásia ou métodos pouco tradicionais de tratamento, esta série inovou ao colocar como tempero um médico de personalidade ranzinza, manipuladora e irônica, que explora a intuição como poderosa ferramenta para fazer seus surpreendentes diagnósticos.

No episódio 5x20, um fato trágico, o aparente suicídio do dr. Kutner intrigou a todos, inclusive ao próprio dr. House, pois jamais havia notado nele traços suicidas. Ao rever o vídeo diversas vezes, sem som, notei algo na linguagem não-verbal que merece um questionamento: o semblante de evidente alegria do dr. Foreman (1:17 no vídeo) logo após sentar-se entre o corpo e sua colega, dra. 13.

A cena é sutil e o sorriso dura frações de segundos. Que motivos teria Foreman para matar Kutner? Faz sentido esta interpretação? Essas perguntas não podem ser respondidas até o momento, mas uma coisa é certa: House discordou da primeira impressão, prontamente aceita por todos, de que o caso se tratava de um mero suicídio.

Será?

http://www.youtube.com/watch?v=zNOT3YVf0t8


SUICIDE OR MURDER ?

Dr. House is one of the most interesting series that emerged in recent years. In addition to the traditional polemics that cause medical series such as euthanasia or non-traditional methods of treatment, this series includes a doctor with surly, manipulative and ironic personality , which explores intuition as a powerful tool to make their amazing diagnoses.

In episode 5x20, a tragic fact, the apparent suicide of Dr. Kutner surprised everyone, including dr. House, because he had never noticed it features suicidal. I watched the video several times, without sound, until noticed something in the non-verbal language that deserves a question: the joy face of dr. Foreman (1:17 on video) when he is looking to the body, while sitting next to 13.

The scene is subtle and the smile lasts fractions of seconds. What reasons would have Foreman to kill Kutner? Does It make sense? These questions can not be answered now, but one thing is certain: House disagreed with the team first impression, unanimously accepted, that it was just a suicide.

What is your opinion?

http://www.youtube.com/watch?v=zNOT3YVf0t8

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Uma política Público-Privada Educacional

O site risadaria .com.br merece aplausos. É uma das raríssimas iniciativas voltadas para a descoberta de novos talentos no humor brasileiro. Além de organizar um grande evento em São Paulo, premiará os cinco melhores trabalhos das áreas de vídeos, fotografias e textos de humor.

O ato de incentivar desde cedo o humor me faz lembrar uma passagem dos meus tempos de colégio.

Desde pequeno, já era um frenético apreciador do humor que era revelado pela elegância, bem como dos trocadilhos e das ironias presentes nas entrelinhas e nas reticências da comunicação oral e escrita.

Lá pela sétima ou oitava série, senti que havia chegado a minha vez e ousei escrever uma redação com humor. Uma ideia quase brilhante. Infelizmente, fui avaliado por um professor que não acordou muito bem no dia em que corrigiu o meu texto. "Piada de salão!!" -escreveu como observação, acompanhada de uma sinistra nota 4.

Sei que a piada que eu coloquei na redação não era lá aquelas coisas, mas para quem lia apenas os Gracilianos Ramos da vida e outras angústias literárias, hoje interpreto o feito como um verdadeiro milagre.

Sou muito mais grato pelo meu apreço ao humor à revista MAD do que ao elenco de sumidades literárias que fui obrigado a ler durante os estudos colegiais. O hábito da leitura entrou na minha cabeça como sinônimo de castigo.

As ironias de Machado de Assis, única forma de humor academicamente correto naquele tempo, equivalia para mim a um gracejo erudita quase sem graça. Sendo sincero, achava aquele tipo de humor uma desgraça. No século XIX aquilo devia ser super engraçado, mas convenhamos, o Machado perdeu o fio quando foi apresentado a um bando de adolescentes que assistiam aos Trapalhões, Casseta & Planeta e outras formas de humor que continham elementos capazes de estabelecer maior identidade com seus públicos, sem contar que a televisão levava vantagem sobre qualquer tipo de texto escrito.

Hoje, depois de saber exatamente o tipo de humor que me faz rir, admito: a cada dia mais aprecio aqueles titãs de outrora. Aprendi a saborear um bom conto de Machado, de Nelson Rodrigues, de Rubem Fonseca e até um bom romance de Clarice Lispector. O problema foi de inadequação daqueles títulos na época em que me foram apresentados. Ao invés de ser seduzido pela leitura na sétima série, a sensação é de ter sido estuprado pelas descabidas pilhas de livros que me obrigaram a comprar, resumir e fingir adorar para perpetuar o nosso modelo de educação digno da Idade Média.

Incentivar o humor é semear a criatividade. Ensinar a adequação do humor, no seu tempo, espaço e forma é fundamental para que a espontaneidade aflore de maneira saudável em cada estudante. Desenvolver o gosto pela leitura nos estudantes inseridos no processo educacional formal é uma tarefa que exige criatividade nas políticas públicas educacionais e de cidadania. O Poder Público e a esmagadora maioria dos educadores ainda não conseguiram dar ao humor a dimensão e a importância de que ele é merecedor. A educação brasileira tem dificuldade de aprender com os próprios erros. Tratamos os estudantes e a realidade deles como se fossem a mesma coisa, do sertão nordestino às grandes capitais. Depositamos conhecimentos nos alunos, como se eles fossem recipientes, ao invés de extrair deles a educação para dar algum sentido àquilo que compõe as suas vidas. Saudoso Paulo Freire!

Inibir talentos por incapacidade de compreendê-los é uma prática excludente e discriminatória. O estudande que quer desenvolver o humor não merece a repressão, mas o incentivo para aprimorar e aperfeiçoar as suas habilidades, sejam elas para escrever, interpretar ou qualquer outra forma de expressão que criatividade permitir. "Piada de salão" é a deficiência do educador, incapaz de reconhecer o desejo de um aluno de aprender a fazer humor de qualidade. "Piada de salão" é a educação brasileira não saber ensinar as crianças e os adolescentes a construir a cidadania, relegando-a ao acaso. "Piada de salão" foi nunca ter havido na minha escola um evento sequer para prestigiar o humor.

Realmente, uma política público-privado educacional como esta promovida pela risadaria.com.br é algo que a Idade Média demorará para aprender, porque no Brasil, além dos alunos, às vezes a própria educação se esquece de fazer a lição de casa.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Cemitério de navios em Angola



No link abaixo pode ser lido um artigo ilustrado com fotografias de um lugar exótico e magnífico chamado praia de Santiago, localizada nas proximidades de Luanda.

http://obviousmag.org/archives/2010/02/cemiterio_de_navios_em_angola.html

Pretendo visitar novamente o Santiago em breve e fazer novas fotografias de lá. Confesso que a energia do lugar dificulta a concentração... Às vezes me pego pensando se aquilo realmente existe. Considero a África linda, riquíssima e misteriosa. Divulgar estas características é contribuição pessoal para diminuir a distância entre as pessoas.

Se ficarmos com a visão de mundo apenas daquilo que nos ensinaram na escola, fecharemos os olhos para conhecer lugares inusitados, diferentes culturas e pessoas encantadoras a ponto de nos flagrarmos, em algum momento diante disso tudo, e ter a audácia de questionar: será que isso realmente existe?

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